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Março, Abril, Maio/ 2012 / Ano2 / Número 6

ECONOMIA E NEGÓCIOS

Especialista demonstra que biodiesel pode ser produzido a partir de algas


Entre os novos caminhos em busca do aumento da produção de biocombustíveis, se destaca o uso de microalgas na vinhaça, produto residual do caldo de cana de açúcar, gerado no processo de fermentação para produzir etanol. Nos Estados Unidos e no Japão, já existem alguns casos bem sucedidos com a produção de biodiesel a partir de microalgas. A empreitada brasileira não demanda ampliação da área de plantio de cana de açúcar e vai além, cultivando as algas na vinhaça - sem empregar água doce, que pode ser destinada ao consumo humano.

Empresas em parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) estão em busca da viabilidade econômica desta solução. O projeto conta com apoio de R$ 3,24 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de R$ 2 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para pesquisas do biodiesel. A longo prazo, o objetivo dos idealizadores é tornar o biodiesel de algas brasileiro mais competitivo no mercado. As estimativas são de que a produção de biodiesel de algas seja de 30 mil a 40 mil litros de óleo por hectare, lembrando que o poder calorífico do diesel é 30% maior que do álcool, o que o torna ainda mais atrativo.

Dados publicados na revista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), apontam que a produção de etanol chegou a 25 bilhões de litros de etanol, em 2010. Com isso, mais de 250 bilhões de litros de vinhaça foram produzidos no processo de fermentação do caldo de cana. O resíduo pode ser empregado na adubação e ainda gerar combustível. O óleo é extraído da biomassa que se forma com a multiplicação das microalgas cultivadas na vinhaça. Elas consomem o nutriente do líquido e crescem. Algumas espécies dobram a própria população em apenas um dia.

Superioridade das algas

O estudioso Kazumi Miura, engenheiro agrônomo e geólogo, é um entusiasta do assunto que acompanha o uso de algas na produção de biocombustíveis. Ele chama a atenção para o rendimento das algas por km² de área, índice bem superior a qualquer outro produto vegetal. “A cana de açúcar, por exemplo, pode produzir aproximadamente 9.000 litros de etanol por Ha/ano, ao passo que um Ha de lagos para cultivo de algas poderia produzir algo como 30.000 litros de biocombustíveis/ ano”, informa. Miura lembra que já existem laboratórios especializados realizando modificações genéticas em algas para aumentar a produção de lipídeos para bioquerosene ou orientados para produção de biodiesel. “Ou mesmo para produção de amido para fermentação para etanol”, completa.



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A seguir, a continuação da entrevista – em formato de perguntas e respostas – com o engenheiro agrônomo e geólogo Kazumi Miura, que expõe mais detalhes sobre a utilização de algas na composição do biodiesel. Uma ilustração básica sobre a produção do biodiesel também pode ser visualizada no final do texto. Acompanhe:

INTECH News – No Brasil, quais são os desafios para viabilizar o biodiesel produzido a partir de algas? 


Kazumi Miura: Pelo o que eu entendo, as dificuldades para viabilizar o biodiesel a partir de algas está em diversos países do mundo, e não somente no Brasil. Trata-se de um processo que ainda não está maduro em termos operacionais e cujos custos ainda são muito altos.

INTECH News – No exterior, há casos bem sucedidos de produção desse tipo de biodiesel? O que o Brasil pode aprender com esses casos de sucesso ?

Kazumi Miura: Em países mais desenvolvidos, principalmente nos USA, já existem algumas plantas pequenas que estão fabricando esse tipo de biodiesel, mas mesmo lá, ainda estamos falando em escala de protótipos. No Brasil, por sua vez, já existe um centro de pesquisas com algas para produção de biocombustíveis em São Carlos, porém não tenho muitos detalhes a respeito.

INTECH News – Quais seriam as principais aplicações desse combustível?

Kazumi Miura: O biodiesel pode ser aplicado para quaisquer situações onde se utiliza motores (biodiesel em mistura com diesel de petróleo) ou em turbinas (caso do bioquerosene de aviação). Hoje, já existem companhias aéreas utilizando bioquerosene em caráter experimental na Europa e nos EUA. Também no Brasil a Embraer está testando esse combustível.


 

 

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